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Dados que contam histórias

Dados que contam histórias

(#22) Hambúrguer, bicicleta, microscópio

por Guilherme Fonseca, em 22.02.16
 

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R:

Saiu da bicicleta a pingar, questionando-se se 1h30 tinha sido suficiente. Talvez sim, talvez não. Depende de muitos factores, como dizem os especialistas. Ela fingia não acreditar neles, mas, em segredo, lia tudo o que eram livros e sites sobre o assunto.

Será que já queimei as calorias do hambúrguer? A pergunta não lhe saía da cabeça. Sentia-se todos os dias como Golias, a tentar combater em vão aqueles seres microscópicos. 

 
∞∞∞
 
G:

Queijo. 10 minutos.

Pão. 15 minutos.

Carne. 18 minutos.

Batatas. 32 minutos.

Toda a gente dizia que ela era perfeita para escolher o que comer. Nos restaurantes passavam-lhe o menu e era ela que, durante largos minutos, analisava os pratos e os ingredientes ao microscópio, como se resolvesse uma complicada fórmula. Todos a achavam gourmet. Epicurista. Um bom garfo. Mas não. Não faziam ideia do que se passava na sua cabeça enquanto lia.

E era simples. Doloroso mas simples. O pão, 15 minutos. O queijo, 10. O resto, 50. Aquele jantar seria quase uma hora e meia na bicicleta para desaparecer do seu corpo.

(#8) Ponto de interrogação, bicicleta, elefante

por Guilherme Fonseca, em 19.01.16

DADOS 8.jpg

 

 
R:

Mas o que é que te preocupa tanto? Alguma vez vai ter de ser.

Bem sei, mas olha… é como o momento em que tens de tirar as rodinhas de apoio da bicicleta. Nunca sabes bem como e quando o fazer. E se for cedo e arriscares uma esfoladela no joelho? E se for tarde demais para as largar? Tira-se primeiro uma e só depois outra? Ou as duas ao mesmo tempo e seja o que Deus quiser?

Acho que estás a dramatizar. Pareces um elefante em pânico porque tem um rato à frente.

Tens muita graça. O que é que eu faço? Como é que eu deixei as rodinhas quando era pequeno, afinal?

Acho que foi uma de cada vez. Ou, se calhar, isso foi a tua irmã, não me lembro muito bem. Mas olha, uma coisa te prometo.

O quê?

Que mantenho a minha mão nas tuas costas enquanto precisares de mim.

 
∞∞∞
 
G:

Como assim não há uma para mim?

O João estava cada vez mais irritado. Tinha quase a certeza que comprara a bicicleta dele ali… mas não se lembrava.

Diga-me lá que modelos é que tem?” perguntou em desespero. De cidade, de montanha, de corrida, de acrobacias. Havia de tudo mas nada para ele. “Desculpe mas para alguém assim, não temos mesmo nada.” O João não queria ouvir mais. Ele sabia que havia bicicletas para ele. Que raio, ele tinha uma! Só não sabia onde a tinha deixado. Raio da sua memória. 

 

 

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