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Dados que contam histórias

Dados que contam histórias

(#7) Relâmpago, olho, telemóvel

por Rita da Nova, em 17.01.16

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G:

Ana odiava trovoada. Odiava. Investigava sempre o tempo no seu telefone antes de saber se ia precisar de companhia nessa noite. Porque, por alguma razão sádica, parece que só há trovoada à noite, não é?

Ela sabia que nesse dia ia precisar de alguém mas não sabia de quem. Ligou, ligou, ligou e ninguém podia. Teria de estar sozinha. O pai atendeu mas só lhe disse “Ana, filha, a trovoada é como os gatos. Se a olhares nos olhos, ela vai embora”. A Ana encheu-se de coragem e nessa noite não se escondeu nos lençóis. Olhou os relâmpagos nos olhos. E não é que eram bonitos? Continuou a querer saber sempre o tempo. Mas agora sem medo, apenas com saudades.

∞∞∞
 
R:

Nunca antes se havia cruzado com tal par de olhos. Já os vira grandes, amendoados, pretos que mal se distingue a iris, azul-céu, muito pequeninos, disfarçados por óculos. Afinal, ser oftalmologista é mesmo assim: passamos a vida a fazer aquilo de que a maioria das pessoas tem medo – olhar os outros nos olhos.

Mas olhos daqueles eram cá uma raridade. Quem diria, olhos que lançam relâmpagos. Nem nos livros de medicina havia registo de tal coisa. E ele sabia bem do que falava: desde o dia em que recebera aquele telefonema, mais não tinha feito do que investigar. Passou os livros da biblioteca a pente fino, falou com especialistas, viu o Dr. House em busca de caso semelhante. Nada.

Que raio de coisas tem alguém de ver para que lhe saiam relâmpagos dos olhos, afinal?

 

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