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Dados que contam histórias

Dados que contam histórias

(#35) Suspeitos, sirene, floresta

por Rita da Nova, em 20.04.16

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G:

São os pretos, não são? Eu sabia!

Aquela mulher começava a irritá-lo. Um trabalho é um trabalho, mas há uns que custam mais do que outros.

Vêm para cá e só fazem asneiras. Não é por mal, coitados. É cultural. Os pretos são poucochinho, sabe?

Queria levantar-se e dar um estalo na mulher mas não podia. Precisava do dinheiro do trabalho e ela além de racista era octogenária. Há coisas que mais vale deixar morrer, que resolver.

Andam para aqui e pisam-me as flores todas, sabe porquê? Porque lá na terra deles não há disto. É só areia e mais areia. Não podem ver nada que estragam tudo.

Pensou duas vezes antes de lhe explicar que não era preciso soar os alarmes, que eram apenas esquilos que vinham da floresta, mas não disse nada. Se aquela velha continuasse ignorante, o bolso dele continuava cheio.

 

∞∞∞

 

R:

Olha eles, os suspeitos do costume. Ângelo esperava os rapazes no sítio onde os esperava sempre e dirigiu-lhes a mesma frase de todas as vezes. Só que hoje, os miúdos não eram três, eram quatro.

Quem é este?

É o Gustavo, respondeu-lhe o mais velho. É o meu irmão…

O teu irmão? Eu sou o quê, agora, puto? Uma ama-seca?

Era a única forma de eu vir…

E como é que eu sei que ele não vai dar com a boca no trombone?

Eu tomo conta dele, patrão.

Espero que sim, senão dou cabo dos dois. Ora bem, vamos ao que interessa. O trabalhinho de hoje é à entrada da floresta. Vai lá estar um homem de bigode para vos entregar a encomenda. E já sabem…

Os miúdos responderam em coro: se ouvirmos uma sirene, fugimos

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