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Dados que contam histórias

Dados que contam histórias

(#3) Banana, livro, prato

por Rita da Nova, em 09.01.16

Photo 09-01-16, 10 05 08.jpg

 

 

G:

Outra vez discussão. Era assim todos os dias. A mãe dizia para ela comer e ela nada. Ficava agarrada aos livros. “Rita, come qualquer coisa. Assim ficas fraquinha” ao que a pequena e pespineta Rita dizia “eu não tenho fome. Estou a comer do livro.”

Outro dia, outra discussão e a mãe já não sabia o que fazer. A Rita não comia, só lia, a mãe gritava, a porta batia, fim de história. Mas naquele dia a mãe teve uma ideia. Não disse à Rita “anda comer” como nos outros todos. Perguntou-lhe “o que vais jantar?”. A pequena Rita, sem tirar os olhos do livro, disse apenas “banana, mamã”. A mãe aproximou-se e perguntou “ai, sim? De onde, da Madeira?” A Rita abriu um pouco mais as páginas do livro, trazendo a sua mãe para a história, e respondeu “Não. Bananas da terra do Jaime, o macaco saltitão”.

E assim ficaram as duas. Agarradas ao livro, a jantar da história.

 

∞∞∞

 

R:

És um banana, pensou, um grandessíssimo banana. Mulheres como ela não passam cartão a tipos como tu. Aceitou jantar por cortesia e entretanto deve ter tido qualquer coisa melhor para fazer. Pensa lá: tu também não irias preferir passar o serão a dobrar meias ou a fazer crochet, se te convidassem a jantar contigo?

Levantou-se enquanto engendrava uma desculpa para servir aos empregados do restaurante. Ela ficou retida no trabalho, está trânsito, está indisposta. Sentiu uma mão tocar-lhe nas costas: ela tinha vindo e, incrivelmente, tinha trazido um sorriso.

Um sorriso e não só: antes de se sentar estendeu-lhe um livro.

Desculpa o atraso, mas vi isto na montra de uma livraria e não resisti.

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