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Dados que contam histórias

Dados que contam histórias

(#21) Bang, lobo, banana

por Rita da Nova, em 20.02.16

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G:

És um banana, pensou.

Todos os teus amigos vão às aldeias aterrorizar os homens e comer as galinhas e tu nada. Ficas a uivar nas saias da mãe, como todos dizem. És um mariquinhas, um cobarde, que tem peninha dos humanos, que acha que todos os bichos, todos os animais merecem paz. Balelas. Devias ser como os outros e não andavas sempre sozinho. O lobo solitário é uma péssima fama.

Era isso, ia à aldeia, mordia uma galinha e fugia. Mostrava-a a todos e iriam aceitá-lo no grupo. Lobo sem alcateia não é lobo. Foi então que o fez. Nessa noite, dirigiu-se ao galinheiro dos humanos, pata ante pata. Aproximou-se das galinhas e começou a escolher a mais velhinha e doente. Foi então que se tornou num lobo pioneiro, no primeiro da sua alcateia a ouvir aquele som. BANG. Somos todos bichos, até deixarmos de o ser.

 
∞∞∞
 
R:

Quando nos transformamos num lobo solitário, aprendemos a viver com pouco. Como se a companhia tivesse levado consigo tudo o que importa. Deixamos de fazer refeições: passar o dia apenas com uma torrada ou uma banana no estômago não nos deixa particularmente tristes.

A vida é o que é e, agora, deixou de ser alguma coisa com que valha a pena preocupar-me.

Deixa sequer de nos importar se nos batem à porta. Bang, bang, bang. Fingimos que não estamos. Sabemos que do outro lado não está ninguém que mereça o esforço de sairmos de nós mesmos.

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