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Dados que contam histórias

Dados que contam histórias

(#17) Flauta, relâmpago, avião

por Rita da Nova, em 06.02.16

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G:

52 dias. Tinham passado 52 dias desde que o avião tinha caído e tinham ficado abandonados naquela montanha. Os feridos foram os primeiros. Depois alguns dos vivos. Sobravam agora 3. 3 passageiros do TP303 que estavam algures numa montanha há 52 dias. 53. 54. 55 até acabar a comida. Resolveram dar mais uma volta pelos escombros à procura de qualquer coisa para comer e brincaram que nunca mais diziam mal da comida de avião na vida, durasse ela o que durasse.
No meio dos destroços viram um tubo. Podia ser ketchup? Mostarda? Vá, pasta de dentes? Não. Era uma flauta. A flauta que o raio do miúdo não tinha parado de tocar durante todo o voo. Paz à sua alma. Um deles estendeu a mão, pegou na flauta e começou a tocar. “Porquê?” perguntaram-lhe. Só disse “Na história não chamava ratos? Eu tenho fome.” antes de começar a soprar.

 

∞∞∞

 

R:

Vou ter de lhe pedir que aperte o cinto de segurança, por favor.
José acordou de sobressalto, sem saber bem onde estava. E a verdade é que, por mais que quisesse, era difícil saber a localização exacta do avião. Decidiu perguntar.
Estamos algures no Oceano Índico, mas não conseguimos dizer-lhe ao certo enquanto não passarmos esta tempestade.
Só depois de abrir a cortina é que José teve noção do que se passava. Os relâmpagos iluminavam o céu de tal forma que parecia ser de dia, enquanto a chuva chicoteava a janela com raiva e intenção.
Tem papel e caneta, por favor?, pediu José à hospedeira.
Tinha de escrever aquela música o mais depressa possível. Ia soar lindamente quando saísse da sua flauta.

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