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Dados que contam histórias

Dados que contam histórias

(#13) Livro, torre, ponto de interrogação

por Rita da Nova, em 29.01.16

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G:

Leu. Leu. E voltou a ler. Os gregos, os russos, até os estranhos. Leu tantos livros e não encontrou a chave da porta em lado nenhum. Nunca imaginaria que ao morrer fosse para aquele tipo de inferno. Uma torre, cheia de livros, de porta trancada. Estava preso, para sempre, numa torre de livros. E não conseguia sair.

Achou que se os lesse a todos a porta abriria. Mas não. Leu todos, metros e metros de altura deles, várias vezes, e nada. A porta estava trancada e assim iria ficar. Era como aquele, que já tinha lido umas 20 vezes, da rapariga dos cabelos compridos que o príncipe trepa. Mas aqui não havia príncipe e muito menos cabelos compridos. Estava careca de saber as histórias daqueles livros todos, era evidente que o seu final iria ser o de ficar ali. Ao menos que alguém a soubesse. Pegou numa pena e começou a escrever. Ou melhor, a escrever-se. E uma torre fechada, cheia de livros, que tinha sido sempre um inferno, tornou-se finalmente num paraíso.

 

∞∞∞

 

R:

Vives aí no alto dessa tua torre, como se soubesses tudo. Sabes que é preciso aprender? Que os livros fazem falta? Que te fazem questionar o mundo? 

Era sempre assim. Beatriz era chamada à sala do director de turma porque andava de miolos nas nuvens, a esvoaçar, e esquecia-se do que era realmente importante. Ou do que eles achavam que era realmente importante.  

Beatriz chegava a casa, mostrava o recado à mãe, levava um raspanete ficava de castigo. Mandavam-na alimentar as galinhas e pentear os cavalos, como penitência. 

Sabes, Pintada, dizia ela à sua galinha preferida, estou farta de me portar mal, mas se não o fizer não tenho desculpa para vir brincar convosco… 

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