Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Dados que contam histórias

Dados que contam histórias

(#11) Relógio, gato, microscópio

por Rita da Nova, em 25.01.16

dados-11.JPG

 

 

G:

Passava horas, horas, a olhar para aquele aparelho, a ver coisas pequenas, pequeninas e microscópicas. Ninguém via tão pequeno, durante tanto tempo, como ele. Mas mesmo assim não conseguia descobrir que pormenorzinhoito tinha feito com que ela ficasse chateada. Que será que foi? Nem com a bata mais limpa e o microscópio mais potente conseguia ver a célula do problema, o átomo da discussão.

Anos a estudar biologia e em 2 segundos de química tinha perdido a mulher que amava. Como um gato que pede festas e ao fim de 3 morde e foge. Aí estava um problema que não sabia resolver. Por muita solução que tivesse, ele não a encontrava. Não havia caixa de petri suficientemente grande para meter a relação dele. Só sabia que a doença que tinha apanhado se chamava paixão.

 

∞∞∞

 

R:

O relógio marcava as quatro horas. Não da tarde, da manhã. Quatro horas da tarde é uma hora aceitável para estar a pensar em coisas estapafúrdias; quatro horas da manhã não tanto. Às quatro horas da manhã podemos estar a sonhar com coisas estapafúrdias, mas não a pensar nelas.  

Não sabia como é que aquela ideia se tinha formado na sua cabeça, mas quando deu por si já estava na despensa em busca do microscópio que lhe tinham oferecido quando era criança.  

Se conseguisse provar que aquele cabelo ruivo era, sabe-se lá, de um gato, então podia concluir com toda a certeza que ela não era real. Só quando montou o aparelho é que se lembrou de que não era cientista. Sabia lá ele distinguir as células humanas das animais. Olhou para o relógio. Quatro horas da manhã.  

Ia mas é deitar-se e aceitar o facto de ela ser demasiado verdade para ser mentira.  

Mais sobre mim

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D